Entrevista com Paulo Eduardo

A entrevista foi feita pelo jornalista e radialista Joao Umberto Nassif (http://blognassif.blogspot.com.br/), em 2012. Segue a mesma na íntegra:

Sua mãe pensou em da-lhe o nome de Paul Simon Temple, mas ficou sendo Paulo Eduardo Temple Delgado. Bisneto de ingleses, nascido a primeiro de setembro de 1959, em Rio Claro, o comunicador Paulo Eduardo é filho de Dayse Mary Temple Delgado, bibliotecária e do militar Waldir Oliveira Delgado. Desde garoto Paulo queria falar no rádio, ainda muito novo ia com seus coleguinhas ao campo de futebol, enquanto eles jogavam futebol, Paulo com uma latinha de extrato de tomate usada à semelhança de um microfone “transmitia” o jogo.

Quando de fato você passou a falar ao microfone?
Eu freqüentava a Igreja Presbiteriana, todos os domingos ela transmitia um programa de rádio. Eu pedia, insistia com o pastor para que me deixasse falar na rádio. Ele dizia que eu era muito novo para tal responsabilidade. De tanto insistir o Reverendo Neftali Vieira Júnior permitiu que eu dissesse: “Está no ar o programa da Igreja Presbiteriana”. Após uns 4 ou 5 domingos em que tive essa participação, achei que falava muito pouco ao microfone. Eu queria falar mais, procurei o diretor da Rádio Educação e Cultura de Rio Claro, pedindo para fazer um teste. A sua resposta foi: “-Você é um garoto!”. Naquela época qualquer menino na minha idade andava de calças curtas. Mesmo assim ele permitiu que eu fizesse o teste. Ele me contratou para começar no dia seguinte. Com 14 anos de idade comecei a trabalhar como locutor. A voz ainda era de adolescente, eu falava e algumas vezes eu desafinava. O meu programa tinha o nome de “Crepúsculo Musical”, ia ao ar às 18h, a partir daí nunca mais deixei de falar ao microfone. Nunca tive outra profissão ou atividade que não fosse ligada ao microfone. Exerci atividades paralelas, a televisão, lecionar no Curso de Rádio e Televisão. Se eu fosse seguir outra profissão talvez fosse ferroviário, o meu hobby é o ferreomodelismo. Além dos incontáveis passeios que faço de trem, muitos de Curitiba à Paranagua, sou sócio da Associação Brasileira de Preservação Ferrovária, a ABPF de Jaguariuna. Gosto muito de trem. Acho que uma das maiores falhas do governo foi terminar com as ferrovias. Vivi com intensidade essse momento quando a Companhia Paulista passou a ser a FEPASA no goveno Laudo Natel, ai passsou a ser o inicio da morte da ferrovia no Brasil e no Estado de São Paulo. A partir dai ocorreu o sucateamento das ferrovias, o tiro de misericórdia foi dado pelo governador Mário Covas quando mandou retirar toda a rede de locomotivas eletrificadas para serem substituidas por locomotivas movidas á diesel. Foi um movimento na contramão do que o resto do mundo estava realizando, eletrifificando
ferrovias para diminuir a poluição.

Juscelino Kubitschek incentivou a industrialização, principalmente a indústria automomobilística.
Mesmo com a política federal de incentivar o automóvel, o Estado de São Paulo comportava o transporte ferroviário. Em um primeiro momento deixou de trafegar trens com carga viva, os boiadeiros ou gaiolas, trens transportando automóveis, os vagões cegonhas. O Transporte de carga sofreu um abalo com a atitude do governo federal, mas o transporte de passageiros não foi tão afetado.
Mas o transporte de passagiros sempre foi deficitário.
Mas é o que presta serviços. Lembro-me que em Rio Claro vivi nas proximidades da linha do trem, estudava no Ginásio Koelle entrava as sete horas da manhã, saia de casa quando o trem apitava, as 6h54 todos os dias desde o meu primeiro ano de grupo até a oitava série. Viajavamos bastante de trem, meu pai viajava de terno e chapéu. Se fossemos a um casamento em Jundiaí por exemplo, saiamos de Rio Claro vestidos para o casamento, o trem era uma coisa chique. Acabaou no sucateamento do trem. No Brasil não se dá o devido valor ao transporte ferroviário. As ferrovias foram tão bem feitas, que atualmente, mesmo após décadas de abandono ela continua prestando serviço, mesmo sem a devida manutenção.

Há interesses escusos para que ela continue assim?
Dá-se pouca importância aos interesses da Nação no aspecto de transportes ferroviários. O próprio carro elétrico é um exemplo. A fábrica Gurgel em 1977 criou o carro elétrico, e colocou em frente a Prefeitura, postes com tomadas de energia elétrica, estacionava-se o carro, ligava na tomada de energia o veículo ia carregando suas baterias. O condutor ia realizar seus afazeres. Doze automóveis foram colocados a disposição da Policia Militar, Santa Casa, Guarda Mirim, e outras entidades, para andarem com o carro. O carro elétrico poria ser uma solução para o Brasil e para o mundo. O Gurgel foi bombardeado de todas as formas, teve um final de vida terrível, desmoralizado, quando na verdade ele tinha a solução. Não interessava a ninguém. O carro elétrico só não está rodando nas ruas porque não interessa aos controladores do petroleo, nem aos donos dos canaviaiais.

Qual era o prefixo da rádio em Rio Claro?
ZYK 580 Rádio Educação de Rio Claro, Seu Novo Amor, 1540 Khertz. Após algum tempo fui trabalhar também em Araras na Rádio Fraternidade, quando o FM ainda não era estéreo. Sou do tempo em FM era mono, era Hi-Fi. Existiam poucas emissoras em FM. Na região de Piracicaba nós só tínhamos a Rádio Andorinhas de Campinas, Libertas de Poços de Caldas. A Rádio Fraternidade pertencia ao Centro Espírita Fraternidade que tem o Hospital Sayão em Araras. A rádio ficava em um salão do centro espírita, num cantinho era o estúdio, era com uma cortina que se puxava. Quando ia começar uma sessão espírita, eu puxava a cortina, continuava operando com fone de ouvido. Quando acabava a sessão eu abria a cortina e aquele salão todo se tornava em estúdio. Eu estudava das 7h às 12h, ia a Araras, fazia o programa na Rádio Fraternidade, voltava a Rio Claro, fazia o Diário de Rio Claro e o Jornal da Cidade, onde fazia a editoria policial, nessa época eu tinha 16 anos.

Hoje, pelo ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente você não poderia cobrir noticias policiais.
Hoje pelo ECA eu estaria cheirando cola na rua e fumando maconha. É uma vergonha, essa lei foi feita quando a nossa realidade era outra. Nós temos que rever isso. Para a época foi excelente.

Como se deu sua ida à São Paulo?
Em 1979, um domingo à noite, eu estava vendo algo raro na televisão, o futebol, e a TV Tupi era quem apresentava os vídeos tapes de sábado. O narrador era Walter Abrahão, o repórter era Ely Coimbra, o comentarista era o Geraldo Bretas. Um dos repórteres da TV Tupi, João Rehder, era meu amigo, de Rio Claro e fazia parte da equipe do Walter Abrahão, eu estava assistido Corinthians e Ponte Preta, era uma 22horas, o João Rehder me ligou dizendo: “Paulo, estão inaugurando dus rádios em São Paulo, você não quer vir fazr teste?” Perguntei que dia deveria ir, ele respondeu: “- Você pega o primeiro trem de manhã, porque o teste é amanhã, segunda-feira, na hora do almoço”. Fui acordar a minha mãe, eu tinha 18 a 19 anos, mas ainda não tinha a chave da minha casa. Era o meu pai quem abria a porta, eu tinha horário para chegar em casa a noite. Convencia miha mãe e fui para São Paulo. Cheguei na Rua da Consolação esquina com a Avenida Paulista, onde ficava o prédio da Rádio Manchete. Fiz o teste. Em seguida fui fazer o teste na Rádio Cidade que estava sendo inaugurada, pertencia ao grupo JB do Rio de Janeiro. O resultado seria divulgado no dia seguinte. Se eu voltasse para Rio Claro eu não teria dinheiro para voltar e ver o resultado. Naquela época a violência não era tão grande, dormi em um banco na Praça Roosevelt esperando o resultado. Quando soube do resultado, para minha surpresa eu tinha passado nas duas. Escolhi a Rádio Manchete, onde comecei a trabalhar em primeiro de fevereiro de 1980. A Rádio Cidade exigia exclusividade. Alguns meses depois passei a trabalhar na Rádio América também.

Você desenvolveu uma técnica própria para ientificar-se com os ouvintes?
Eu era um garoto do interior, um menino caipira. A rádioera de boys, de jovens da sociedade paulistana, com vocabuláro próprio. A tarde eu ia ao Shopping Iguatemi, que era o shopping da moda, me aproximava da rodinha e ouvia a conversa dos jovens, anotando em um papelzinho a forma como se comunicavam: girias, a maneira de se expressar. Isso foi nos anos 80, tinha girias como “É a maior chinfra”, “Tô nem aí” , “Vou mandar pau”.Quando estava no ar eu ia falando conforme havia anotado. Quem ouvia pensava: “Esse cara é do Jardim Paulista”. Mal sabia que era um caipira com calça pula brejo, uma só muda de roupa para trocar e morava em uma pensão fedida Rua Augusta, onde moravam trabalhadores que operavam britadeiras de mão, eram 60 pesssoas para um banheiro só.

A Rádio América situava-se onde?
Ficava na Vila Mariana, pertencia a Congregação Paulinas, que tem a Edições Paulinas. Na Rádio Manchete eu era um locutor boyzinho, na Rádio América eu era um locutor de AM. A Rádio América tinha como diretor Dom Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo. Eu aprresentava com Dom Paulo, todos os dias as 18h40 um programa que era uma mensagem apresentada por Dom Paulo. Eu no estudio ele na arquidiocese, fazia por linha telefonica. Convivi com Dom Paulo bastante tempo, depois fui diretor da Edições Paulinas, Diretor da Rádio América por seis anos, das suas afiliadas. Na CNT Gazeta tive por dois anos um programa que se chamava “Laços de Amizade”, com a participação de Chico Xavier, uma vez por mês eu ia gravar com Chico Xavier. Era um programa que não só divulgava a doutrina espírita, mas também de bem viver. Tive a oportunidade de rabalhar por bastante tempo com a comunidade metodista em São Paulo, na Rádio Musical, que é uma rádio gospel em São Paulo.

Você trabalhou na Rádio Capital?
A vida dá muitas voltas, fui contratado para trabalhr na Rádio Capital, junto com o Zé Bettio, Ely Correia, Sonia Abrahão, Paulo Barbosa. Fui trabalhar em uma rádio popular, e eu já estava em uma época da vida que ocupava uma posição diferente em São Paulo.

Fiz o inverso: pegava o trem de suburbio e ia escutar as pessoas falarem no suburbio, comecei a anor expressões como “Benzer de Vento Virado”, pobre adora levar para benzer, “Benzer de Simioto”, são expressões que eu ouvia, mas até hoje não sei o significado exato. Com issso ao ir ao microfone eu falava a linguagem popular. Na Rádio Capital eu tinha uma seção de caminhoneiro, convivi muito com caminhoneiro para saber os termos que eles usam. “Princesa” é a esposa, filha é “Pequitita”, há um vocabulario próprio dos caminhneiros..

Cada segmento da sociedade tem formas próprias de se expressar?
Tem sim. Esses laboratórios fiz porque entendi que ou faria isso ou ficaria estacionado onde estivessse. Só há uma possibilidade de você avançar, é se atualizando. Hoje estou fazendo televisão em Piracicaba, tenho que fazer um laboratório diário. Estou em uma cidade que tem a sua própria realidade, se eu não estiver por dentro dela vou ter dificuldades, muitas vezes saio, ando pela cidade, para ver, ouvir, acompanhar e poder chegar à televisão e falar a linguagem utilizada pelo piracicabano. Muitos dizem que o piracicabano é um povo conservador, é verdade, é um povo que ama a sua cidade. Quem não tiver esse amor por Piracicaba corre o risco de não ser tão bem aceito. Eu tenho muito orgulho de ter nascido em Rio Claro, estou em Piracicaba fazendo esse programa de televisão ha tres anos e meio, eu me sinto piracicabano.

Você já recebeu o título de “Cidadão Piracicabano”?
Nem tenho merecimento para isso. Com todo respeito, mas titulo de cidadão as vezes é dado à pessoas que você vê que são maravilhosas, mas título de cidadão deve ser dado a pessoa que fez algo muito significativo. Menções, reconhecimento, isso sim pode ser concedido.

Você conheceu o lendário Adolpho Bloch?
Tive o prazer de conhecê-lo. Ele gostava muito de cães, e sempre aparecia em fotografias com duas cachorrinhas. Ele tinha o habito de almoçar com seus funcionários. Na Casa da Manchete, na Avenida Europa, havia uma mesa com 30 a 40 lugares, na hora do almoço todos nós iamos almoçar lá, diariamente, ele fazia questão da nossa companhia. Ele sentava na ponta da mesa, nessa época deviam trabalhar uns 10 na rádio e uns 30 na revista. Eu saia da Rádio Manchete, pegava o ônibus elétrico e descia pela Rua Augusta, que passava a se chamar Avenida Europa na área mais nobre dos Jardins. Parava em frente a Casa da Manchete, almoçávamos com o Seu Adolpho. A sabedoria daquele homem era imensa. Quando ele faleceu a Rádio Manchete foi vendida para a Bispa Sonia da Igreja Renascer, ao assumir a rádio chamaram todos nós e simplesmente nos dispensaram. Até hoje não recebi o que tenho por direito. A partir do dia seguinte todos os nossos cargos foram ocupados por elementos da igreja, que a titulo de colaboração passaram a ocupar microfones, produção, discoteca, sob o olhar contemplativo do Sindicato dos Radialistas como é conhecido o Sindicato dos Trabalhadores no Rádio e Televisão. Em protesto me demiti do sindicato. O meu sindicato não tinha peito nem interesse em impedir o que estava ocorrendo conosco. O Sindicato dos Radialistas funcionou bem enquanto não tinha interferência política. Quando a CUT entrou no Sindicato dos Radialistas matou-o. O radialista é muito abandonado. Na época de campanha eleitoral você começa a ver no rádio e na televisão, por exemplo, um advogado que vem fazer rádio ou televisão para ficar famoso e se eleger, o mesmo fazem engenheiro, professor e profissionais de outras áreas. Esse pessoal vem para ficar famoso e se eleger. Se eu, jornalista, vestir uma roupa branca e colocar um consultório, vou para a cadeia. Eu não tenho CRM. Em contrapartida, muitos não tem registro de jornalista e realizam o meu trabalho, de graça, para se elegerem. Uma legislação eleitoral absurda tira do ar o profissional de rádio e televisão, três meses antes da eleição, em detrimento desses abutres que vem para o rádio só para serem eleitos. Deveria haver uma legislação que permitisse ao profissional de rádio e televisão que permitisse que ele continuasse trabalhando no período eleitoral, mesmo ele sendo candidato a um cargo eletivo. Eu não tenho outra fonte de rendas, sou jornalista. Vivo do meu trabalho. Se eu tiver a pretensão de me candidatar não posso trabalhar. Quem trabalha na mídia impressa pode continuar escrevendo, o médico pode trabalhar até a véspera das eleições, assim como profissionais de outras áreas. Isso foi criado para barrar o Silvio Santos quando ele resolveu se candidatar. É uma lei esdrúxula. O sindicato dos radialistas é inoperante. O sindicato dos jornalistas eu não sei como procede, nunca fui filiado a ele.

Com a Bispa Sonia dispensando os profissionais da rádio você foi trabalhar em outra rádio?
Fui para a Rádio Capital, uma das emissoras populares mais importantes do Brasil, ela ocupa a freqüência 1040, que é um canal internacional e que antes tinha pertencido a Rádio Tupi. No Brasil temos só três emissoras de rádio com canal internacional: Rádio Tupi do Rio de Janeiro, no mundo não existe outra emissora 1280, a Rádio Capital, 1040 e a Rádio Gaucha da RBS. Tive a oportunidade de trabalhar com Enzo de Almeida Passos, Zé Bettio, Ely Correia, Osvaldo Betio, o Zé Bettio fazia a Praça dos Amores, apresentei vários bailes que eram realizados na rádio com seus ouvintes. Trabalhei 12 anos na Rádio Jornal em Limeira, onde com a autorização do Zé Bettio apresentei a Praça dos Amores. O Ely Correia me permitiu usar “Que Saudade de Você”, que é o quadro de maior audiência de todos os tempos, o Ely apresenta até hoje. Agora na Sexta-Feira Santa fui visitar Gil Gomes, que está com a saúde abalada.

Como você decidiu vir à Piracicaba e apresentar o seu programa?
Vim a Piracicaba, fiz uma pesquisa de campo e vi que não havia nada com esse perfil, e todos sabem da importância de Piracicaba. Lançamos o programa na TV Beira Rio, chamava-se Piracicaba Agora, onde ficou no ar por dois anos e meio, e a 10 meses está na Rede Opinião de Televisão, ela tem uma abrangência regional. O programa passou a se denominar Opinião Geral. Trabalho no rádio há 36 anos, estou fora do rádio a 7 meses, infelizmente o rádio, e isso não é valido só para Piracicaba, mas para qualquer lugar, inclusive São Paulo,, se qualquer gago, qualquer fanho, chegar em uma emissora e disser que quer fazer o programa de fulano e tem um bom patrocínio, o fanho estréia amanhã. As pessoas perguntam por que o rádio está sem talentos? Por culpa do radio difusor que prioriza o seu bolso em detrimento da qualidade. Antigamente quanto talento Piracicaba tinha no rádio? Você enchia uma folha com nomes. Hoje você girando o dial regional será que dá para contar com todos os dedos de uma mão? Na FM o locutor fala anasalado, piracicabano com sotaque de carioca, se fala caipira fala forçado, fora da realidade. Nem vou tocar no português, concordância é uma coisa que não existe: “o pessoal foram”, “a gente viemos”. Infelizmente o rádio está nivelado por baixo, com algumas exceções. É difícil encontrar quem tenha talento para falar ao microfone e talento para venda. O comunicador é romântico.

paulo 08

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